Katil, o assassino troiano



    Nas ruínas de Tróia, atual Çanakkale (Turquia), vive um ser poderoso, famoso por seu gosto incessante por matar. Daí vem seu nome: Katil, assassino em turco. Aqueles que dizem ter sobrevivido às explorações destas ruínas da grande cidade-estado, não o lograram por mérito próprio, e sim por terem sido poupados pela fera que deixou que sobrevivessem para que sua fama fosse espalhada. Eles dizem ter presenciado as coisas mais terríveis de suas vidas.
     Katil é um ser imponente, seu corpo é como o de um leopardo gigante da Anatólia, porém todo coberto por uma carapaça impenetrável e com uma cauda que lembra a de um escorpião negro. Suas garras e presas extremamente afiadas são capazes de rasgar com força e precisão a pele e os ossos de suas vítimas. Sua saliva é tão corrosiva quanto o pior dos ácidos. Seus sentidos são extremamente aguçados e detectam qualquer presença nas ruínas, desde o menor ao maior dos animais. Seu leito é forrado pelos escalpos de suas inúmeras vítimas, colecionadas há milhares de anos. O pavor causado pela fera é algo indescritível. Raros foram são aqueles que puderam contemplar esta besta imensa.
     A fama de Katil é conhecida em toda a Grécia e Turquia. Sua imponência e agressividade rivalizam com as piores das bestas já derrotadas por Hércules. Muitos dizem até que nenhum grande herói poderia sequer pensar em derrota-lo. Os próprios deuses são desafiados a disputar uma peleja com este felino-aracnídeo.
     As mortes causadas por Katil são contadas desde os tempos mais antigos, logo quando os gregos invadiram Tróia. Aqueles que tentaram ocupar a cidade caída pereceram diante do instinto feroz e sanguinário de Katil, que quase sempre deixava que alguém escapasse para que seu nome fosse temido e eternizado. Conseguiu. Katil é o pior dos assassinos.



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