Resenha do Livro "Anjos da Morte", de Eduardo Spohr
Esta resenha foi feita para a
composição da nota da AB2 da disciplina Leitura e Produção de
Textos em Língua Portuguesa do curso de Letras da Universidade
Federal de Alagoas (Ufal). Abaixo encontra-se o texto da resenha do
livro e, em seguida, logo após a resenha, encontra-se, como leitura
opcional aos que se interessarem mais pelo livro, uma série de
informações sobre o mundo criado pelo autor Eduardo Spohr.
O livro escolhido por mim foi: “Anjos
da Morte”, é do autor carioca Eduardo Spohr, de 41 anos, cuja
principal obra é o best-seller
brasileiro “A Batalha do Apocalipse”. “Anjos da Morte” foi
publicado em 2013 pela editora Verus, em 586 páginas, no Rio de Janeiro e trata-se do
segundo livro da trilogia “Filhos do Éden”, porém possui
características diferentes dos demais livros da saga, pois este pode
ser lido de maneira independente, já que o autor utilizou o método
de escrita character-driven,
onde, ao contrário de suas outras obras, o enredo foi construído
com foco nos personagens principais e não em algum evento ou missão.
O
livro é sobre a história de Denyel, o personagem principal da obra,
um anjo da casta dos querubins que
atuou como um anjo da morte, que eram anjos guerreiros ordenados a
participar de guerras humanas para registrar informações e
repassá-las aos malakins, a casta responsável pelos estudos do
universo e da humanidade. Denyel pode viver entre os humanos sem
nenhum problema, pois seu corpo é igual ao de qualquer pessoa e, por
ser um querubim, tem instintos intrínsecos à sua casta, portanto é
um lutador nato. A trama se desenrola durante as grandes guerras do
século XX começando pela Segunda Guerra Mundial e, com o passar do
tempo é possível perceber que Denyel vive intensas experiências na
guerra e acaba se tornando um personagem depressivo, alcoólatra,
repleto de características humanas e, inclusive, se apaixona pela
personagem Sophia
que, mais adianta ele descobre ser um anjo feminino da casta dos
elohins.
A trama durante as batalhas da
Segunda Guerra Mundial foi construída de forma que é possível
ambientar-se bem nos cenários de trincheiras e ruínas desta guerra
e nas selvas e túneis da Guerra do Vietnã. O autor constrói as
cenas de maneira bem detalhada, realisticamente e, assim, é possível
sentir a tensão dos personagens diante de situações de morte e
sofrimento causadas pelo terror das guerras; tal característica do
autor é percebida igualmente em suas outras obras, porém em “Anjos
da Morte” o enredo foi feito totalmente baseado na vida de
Denyel, o que contribui ainda mais para uma leitura realista, já que
é possível sentir as preocupações, problemas e sentimentos deste
personagem. Esta obra não é algo que se lê em poucos dias, já
que é densa e muito detalhada, o que, para alguns, pode causar certo
desinteresse por conter cenas não tão objetivas; contudo, no geral,
a obra é bem interessante para os leitores que gostam de cenários
de guerra e mitologia judaico-cristã, com um equilíbrio entre cenas
de ação, romance e drama vividas por seu protagonista que possui um
caráter intrigante e sarcástico que o torna verdadeiramente um
humano aos olhos do leitor.
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LEITURA OPCIONAL
LINHA DO TEMPO:
Bom, o universo foi criado por Eduardo
Spohr no livro “A Batalha do Apocalipse”, que teve continuidade
com a trilogia “Filhos do Éden” e possui elementos do
criacionismo judaico-cristão e de outras muitas religiões, como a
nórdica, grega e até mesmo algumas divindades indígenas não tão
conhecidas, mas que o autor fez diversas adaptações inteligentes,
como por exemplo o fato de usar o mito da criação em sete dias
metaforicamente, onde cada dia corresponderia a bilhões de anos,
portanto de certa forma a “idade da Terra” conhecida pela ciência
é respeitada, contrapondo-se à ideia original da mitologia
judaico-cristã onde os termos “dias” são usados literalmente e
a Terra teria em torno de 6.000 anos. O primeiro dia neste mundo
seria o início da criação, quando Yahweh, a Lei e seus arcanjos
derrotaram Tehom, o Caos e seus deuses-monstros, e então finalmente
surgiram o tempo e a matéria e, pouco depois, aconteceria o Big
Bang que
marca também o nascimento dos anjos. O sétimo e último dia marca o
surgimento da espécie humana, dotada de alma, através da evolução
que durara bilhões de anos.
OS ARCANJOS (em ordem hierárquica):
Os arcanjos foram criados por Yahweh
para que lutassem ao seu lado nas Batalhas Primevas, contra Tehom, o
Caos e seus deuses-monstros. São seres extremamente poderosos, bem
superiores aos anjos.
Miguel:
O
príncipe dos Anjos. O maior de todos os arcanjos, venceu os
exércitos de Lúcifer e os expulsou para o Sheol.
Lúcifer:
A
Estrela da Manhã, chamado também de Filho do Alvorecer, Portador da
Luz ou Arcanjo Sombrio. Rebelou-se contra Miguel e hoje tem o próprio
domínio nas profundezas do inferno.
Rafael:
A
Cura de Deus ou o Quinto Arcanjo. O mais bondoso e indulgente dos
primicérios. Desapareceu misteriosamente nos dias que se seguiram ao
dilúvio.
Gabriel:
O
Mestre do Fogo, Mensageiro, Anjo da Revelação ou Força de Deus.
Costumava ser enviado à Haled (Terra) para cumprir missões
ordenadas pelos demais arcanjos. Revoltou-se contra o irmão Miguel,
dando início à guerra civil.
Uziel:
O
Marechal Dourado. O mais novo dos cinco arcanjos, patrono da casta
dos querubins.
OS SETE CÉUS:
Há vários planos diferentes neste
mundo, e o Céu na verdade é dividido em sete:
Primeiro
Céu: Tártaro.
Lar dos ishins, abriga os quatro reinos elementais. É a camada mais
próxima da Terra.
Segundo
Céu: Gehenna.
O purgatório. Uma dimensão de escuridão e torturas, destinada a
deter prisioneiros e almas em penitência.
Terceiro
Céu: Éden
Celestial. Destino das almas dos justos após a morte.
Quarto
Céu: Acheron.
Camada intermediária. Contém as fortalezas angélicas e os campos
de guerra.
Quinto
Céu: Celestia.
Aqui ficam o Palácio Celestial, as cidades aladas e as catedrais
celestes. Era o ponto de reunião dos arcanjos antes da guerra civil.
Sexto
Céu: Raqui’a.
Região controlada pelos malakins. Usada como retiro e pavilhão de
estudos.
Sétimo
Céu: Tsafon.
Onde Yahweh descansa.
AS SETE CASTAS ANGÉLICAS:
O anjos são divididos em castas, que
fazem com que eles tenham instintos inerentes a esses grupos. A
seguir as sete castas e suas características principais:
Querubins:
Anjos
guerreiros. Seus poderes são baseados em força, percepção,
furtividade e rapidez.
Serafins:
Nobres, políticos e burocratas. Mestres na persuasão e na
manipulação da mente.
Elohins:
Vivem
no plano físico, geralmente disfarçados de seres humanos. Hábeis a
se adaptar a etnias e grupos sociais.
Ofanins:
Anjos
da guarda. Seres bondosos, que vagam no plano astral ajudando os
seres humanos. Carismáticos, são capazes de controlar emoções.
Hashmalins:
Torturadores,
anjos da punição. Controlam os espíritos e as trevas.
Ishins:
Celestes
responsáveis por governar as forças elementais: fogo, terra, água
e ar.
Malakins:
Sua
missão é estudar o universo e a humanidade. Reclusos, podem moldar
o tempo e o espaço.
Basicamente, o que acontece é que,
após finalizar o processo da criação do mundo, Yahweh, O Criador,
entrou em um sono profundo, fazendo com que os arcanjos (seres
superiores aos anjos) ficassem no comando da Terra, comandados pelo
príncipe-arcanjo Miguel, que sempre odiou a espécie humana,
achando-os insignificantes e não-merecedores da atenção divina.
Com isso, Miguel ordenou uma série de genocídios por diversas
vezes, que equivaleriam ao dilúvio, as pragas etc do mito
judaico-cristão. Com isso, Miguel acabou perdendo o apoio de seus
irmãos arcanjos, que começaram a se rebelar contra ele. Lúcifer,
que almejava alcançar a divindade, superando o próprio Criador,
rebelou-se e logo foi condenado ao Sheol, também conhecido como
Inferno, onde, ao lado daqueles que aderiram à sua causa, aguarda
ansiosamente o momento propício para se reerguer; e também Gabriel,
que lidera legiões contrárias à tirania de Miguel, pois, ao
contrário de seu irmão, acredita que os seres humanos devem ser
protegidos, segundo a vontade de Yahweh.

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