A escola na minha formação como leitor e escritor
A escola não representa muito na minha formação como leitor, apenas como "escritor", começando pelas séries mais básicas, onde, literalmente, aprendi a escrever, até as, muitas vezes mecânicas, redações preparatórias para o vestibular.
Algo que me marcou foi em algumas aulas de religião, onde todos éramos forçados a ler textos bíblicos, escolhidos a dedo, e por minha inocência à época nunca questionei o que estava acontecendo, até mesmo porque isso também vinha da criação que tive da minha mãe, que é religiosa, porém hoje vejo o quanto isso é ruim, pois as crianças não são ensinadas a questionar, e sim a aceitar o que lhes dizem.
Felizmente sempre tive a presença da minha avó, professora Zilma, que sempre me estimulou como leitor. Sem dúvidas as obras que mais marcaram minha infância foram "A odisseia", "As fábulas de Esopo" e o "Atlas mundial", daí surgiu meu gosto por mitologia e geografia política, e atribuo tudo isso à minha avó, não à escola. Certamente o que mais sinto falta da escola, enquanto leitor, é justamente a expansão de horizontes, ou seja, sair da "mesmice", como a leitura dos livros paradidáticos, que nada mais eram do que aquelas obras clássicas que são impostas aos alunos sem a preocupação do estímulo e da individualidade de cada um.
A busca pela diversificação deve ser estimulada às crianças, e não foi isso que me aconteceu, pois fiquei preso à leituras que não me agradavam e não fui ensinado na escola a transpor esta barreira; mais uma vez menciono minha avó que com certeza me ofereceu outras opções de leitura, tanto que hoje amo ler sobre ciência, sobre a evolução das espécies, algo que seria impensável nos meus tempos de escola, onde eu era doutrinado a ser religioso e meu amor pela ciência não era explorado.
(eu leitor em 1996)
(verso da foto acima, com dedicatória da minha avó: "no meu quarto 'lendo', como sempre. É um amor)
À minha grande mestra e avó: professora Zilma. Eu a amo.
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